"Além dos sinais externos que denunciam - cabelos brancos, cabelo nenhum, rugas, barriga, essas indignidades - as gerações se reconhecem pelos jogadores de futebol que se têm na memória"

Luis Fernando Veríssimo

2 de abr. de 2011

O homem certo com a camisa certa

É impressionante como a tradição e a camisa de determinados times são capazes de mudar a história de um jogo.
Acabo de acompanhar a virada sensacional do Manchester United sobre o West Ham, aquele tipo de vitória que vai minando as esperanças dos rivais e empurrando os Diabos Vermelhos a passos largos para mais um título inglês.

15 minutos do segundo tempo, falta para o Manchester United na entrada da área, o placar marcava 2x0 para o West Ham, antes do juiz autorizar a cobrança, Wayne Rooney é o encarregado, o juiz autoriza...

...2x1.

Um único gol, que somado a uma onipotente camisa e a um onipresente craque, é capaz de engolir qualquer adversário sobre qualquer circunstância desfavorável.

Engana-se quem pensa que o número 10 na camisa de Rooney é por acaso. Rooney é acima da média, um craque entre os craques, e é bom que se diga, não é centroavante. Rende muito mais chegando de trás, tem ótimo passe e visão de jogo e é capaz até mesmo de armar a equipe. Hoje jogou até de volante, deixando muitos volantes de ofício "no chinelo".


O "10" lhe cai muito bem.

Mas voltando ao jogo...

27 minutos do segundo tempo, passe da direita, Wayne Rooney recebe dentro da área...

...2x2.

32 minutos do segundo tempo, pênalti para o Manchester United, Wayne Rooney é o encarregado...

...2x3.

Chicharito ainda fez o quarto e deu números finais a partida.


Uma partida onde 15 minutos de Rooney e uma camisa com 15 décadas de história fizeram toda a diferença.

31 de mar. de 2011

Simples e eficiente

Passada a festa, as comemorações e provocações é hora de saber: como será o São Paulo com Luis Fabiano ? Quem sai para o artilheiro entrar ?

Enquanto escrevo esse texto o São Paulo está perdendo para o Santa Cruz, no que deveria se chamar "Showzão" do Arruda e não "Mundão", mas a pergunta que não quer calar é a seguinte: Por que cargas d'água Casemiro ainda não é titular desse time ? Rodrigo Souto e Rivaldo no mesmo meio-de-campo é o mesmo que colocar uma placa de "aluga-se".

A melhor formação para o São Paulo atual é o 4-3-3, com o bom William José de referência no ataque, até a chegada de Luis Fabiano, Lucas trabalhando atrás dos três atacantes e Casemiro e Carlinhos Paraíba na saída de bola e proteção à zaga.


Um time ofensivo, rápido, como há tempos o São Paulo não tem e que ganharia muita qualidade na saída de bola.
Jean seria peça fundamental nesse time, ora cobrindo as idas ao ataque de Casemiro, que aparece muito bem como elemento supresa(vide pré-olímpico), ora compondo um terceiro zagueiro para cobrir as subidas de Juan pelo lado esquerdo.

Claro que para esse tipo de esquema funcionar é preciso uma certa dose extra de doação por parte do homens de frente para ajudar na marcação, o que aumenta o desgaste físico dos atletas. Porém, a receita para que isso não aconteça já nos foi ensinada; uma receitinha espanhola, da região da Catalunha, chama-se "posse de bola".

O conceito é simples: se a bola está comigo eu estou mais perto do gol, e quem tem que correr atrás é o adversário. Sem mencionar que: se eu estou mais perto do gol, consequentemente estou mais perto da vitória.

O futebol está longe de ser uma ciência exata, mas um certo clube da região nordeste da Espanha já nos ensinou que o fundamento mais simples do futebol, se executado com o mínimo de competência, pode ser o caminho mais fácil para a formação de um time vencedor. E se executado com o máximo de competência, é capaz de proporcionar um verdadeiro espetáculo.

28 de mar. de 2011

Lições, clichês, constatações e o famoso "eu avisei"

A lição de Londres é simples: Liberdade ao craque. O craque, o jogador diferenciado, não pode ficar preso em uma determinada faixa do campo. Enquanto Neymar esteve "preso" do lado esquerdo o Brasil pouco produziu, no primeiro lance em que Neymar teve liberdade para buscar o jogo e encostar mais no ataque o óbvio aconteceu, Brasil 1x0.

Os clichês de Londres:
  • Daniel Alves é o melhor lateral direito do mundo.
  • Thiago Silva joga. E não é pouco não.
As constatações de Londres:
  • O futebol europeu fez muito bem a Ramires. Era um grande jogador, hoje é um jogador completo.
  • Por que todos insistem que Elano é armador ? Elano não é um criador de jogadas.
  • Quem precisa ser trabalhado e entrar aos poucos é Jadson, não Lucas.
O "eu avisei" é exatamente sobre ele; 20 minutos em campo, 2 jogadas sensacionais, uma delas com uma conclusão tosca de Jonas, que aliás entra nas "constatações" como "não serve para a seleção".

O que teria feito Lucas em 90 minutos ?

Quem acompanha o blog sabe, e agora encho a boca, ou os dedos, para dizer, ou escrever, como preferirem, EU AVISEI.

Quem precisa se adaptar quando muda de camisa ou de time são os jogadores "comuns". Lucas, assim como Neymar, está longe de ser comum.

Quem sabe sabe amigo, não precisa de "adaptação".

27 de mar. de 2011

Um time completo

O timaço da seleção alemã foi a campo para um "treino de luxo" contra o Kazaquistão pela quinta rodada das eliminatórias da Euro 2012. Resultado: - no sentido literal da expressão- 4x0. Mais um pouco de vontade e o placar chegaria tranquilamente a 7 ou 8 tamanha a diferença entre as equipes.

Embora tenha jogado de forma até "sonolenta" em determinados momentos, esse é um daqueles times que você para pra assistir até contra o Kazaquistão, que, com todo respeito, praticamente "não existe" no cenário do futebol.

A Alemanha é um time completo. Protagonista, craques, coadjuvantes de muita qualidade, discilina tática, alta qualidade técnica. Um timaço que ao lado de Espanha e Holanda forma hoje o top 3 de seleções no mundo. O problema é saber a ordem.

O time que foi a campo hoje é, até por conta da continuidade do trabalho de Joachim Löw, muito parecido com o que disputou e apresentou o melhor futebol da Copa do Mundo 2010.
Um time extremamente organizado e bem distribuído em campo. Todos sabem o que fazer, quando avançar, quem cobrir e o que esperar do companheiro.

O time de Joachim Löw joga em um 4-2-3-1, que pode parecer um esquema conservador por ter apenas um atacante, mas que por conta da movimentação dos homens de meio-campo e dos avanços dos laterais e volantes, feitos de forma absolutamente organizada e consciente, acaba por se transformar em um esquema extremamente ofensivo e que se bem executado, como fazem os alemães, confunde muito a marcação adversária e proporciona um futebol envolvente de encher os olhos.


É importante destacar que os alemães aliam a qualidade técnica e a intensa movimentação à disciplina e obediência tática. Um exemplo disso são as subidas dos laterais ao ataque, que jamais o fazem ao mesmo tempo.

É interessante também observarmos algumas jogadas de conjunto da seleção alemã. Fruto de um time "pronto" e entrosado, que já joga junto há algum tempo.
Por diversas vezes podemos perceber jogadas da ataque em que os homens de meio-campo, Podolski, Özil, Müller e até Khedira avançam como um "paredão" ao mesmo tempo que Klose volta fazendo o trabalho de pivô e abrindo os espaços. Jogadas que quase sempre são fatais já que os homens que vem de trás estão praticamente sem marcação.

Por tudo isso, a Alemanha tem hoje ao lado da Holanda (lembram do "top 3" ?) a melhor campanha das eliminatórias.

É bom lembrar que o Brasil tem amistoso marcado com as duas ! Mano que se cuide e trate de vencer, e bem, a Escócia se não quiser encontrar Özil e Sneijder com a corda no pescoço, porque a paciência e compreensão com o momento de renovação quase sempre dá lugar ao "imediatismo" por resultados quando se trata de seleção brasileira.


OBS #1: Como faz gol pela seleção esse Klose !
OBS #2: Se há alguém que ameaça o status de "melhor lateral direito do mundo" de Dani Alves, esse alguém não é Maicon, é Philipp Lahm.

24 de mar. de 2011

"serolav"

Vivemos em um mundo onde os valores estão completamente invertidos.

Nos espantamos com a honestidade de fulano ou beltrano quando a falta dela é que deveria nos causar tal admiração.

Nos supreendemos com atitudes éticas e profissionais, seja de um cidadão comum ou de uma figura pública, quando a falta delas é que deveria nos causar espanto.

De uma hora para outra um cidadão que não faz mais do que sua obrigação ao ir trabalhar chegando no horário vira "exemplo a ser seguido".

Haja paciência.

Ronaldinho Gaúcho ganha, e muito bem, para se apresentar, chegar no horário, treinar, jogar ou, para ser mais claro, cumprir o contrato.

O fato de muitos não esperarem tal conduta de Ronaldinho não transforma o que era, e é, pura e simplesmente obrigação em algo diferenciado e digno de tantos elogios e reconhecimento.

Menos minha gente, bem menos.

23 de mar. de 2011

O reino do amadorismo

No dinâmico mundo do futebol cravar uma certeza é realmente uma temeridade. Em Janeiro, cravei que o mico do ano no futebol brasileiro era do Corinthians, com a eliminação frente ao poderoso Tolima, mas, como sempre temos um "mas" no futebol, o Fluminense tem feito uma força incrível para roubar o prêmio corintiano.

O clube fala uma coisa, o patrocinador outra, a acessoria de imprensa anuncia a contratação de um treinador, em um parquinho infantil, e no meio do anúncio alguém avisa que "melou" porque o (com todo respeito ao homem e profissional) grande Gilson Kleina preferiu continuar no comando de um time do interior do estado de São Paulo ao invés de assumir o, caótico, atual campeão brasileiro do série A. Com total razão, visto que a intenção do Fluminense era de que ele "bancasse o franelinha" e guardasse a vaga para Abel Braga durante três meses.

Como diria meu pai: essa proposta foi o "fim da picada".

Mas o ponto em questão é: estamos diante de uma aula de amadorismo impensável até mesmo para os padrões brasileiros. Como um clube de futebol profissional não consegue sequer organizar um anúncio oficial por meio da sua acessoria de imprensa ? Como um clube de futebol profissional divulga planos e acordos para a imprensa antes de "bater o martelo" e acertar com as outras partes envolvidas ?

Tudo bem, antes que o troféu "mico do ano" se transforme em uma nova versão da "taça das bolinhas" e comece a causar brigas entre Corinthians e Fluminense, criemos novas categorias; a versão "mico do ano - dentro de campo" vai para o Parque São Jorge e a versão "mico do ano - bastidores" vai para as Laranjeiras.

E no reino do amadorismo, sobrou até para as criancinhas, que viram seu parquinho se transformar em uma "sala de imprensa".

20 de mar. de 2011

Erros repetidos

"Foi um erro que se repetiu e quando os erros se repetem eles nos aborrecem" - Marcelo Martelotte se referindo ao segundo gol sofrido pelo Santos na derrota para o Bragantino.

Marcelo Martelotte será o "bode espiatório". Enquanto todos debatem sobre os erros recorrentes da defesa santista sob seu comando, erros aliás que datam de antes de Martelotte assumir o cargo interinamente, se esquecerão de comentar a absoluta falta de planejamento e critério da diretoria na hora de definir um novo treinador.

Primeiro era Ney Franco emprestado por alguns meses, depois Marcelo Martelotte assumiria até que Abel Braga pudesse retornar ao futebol brasileiro, mais recentemente Muricy Ramalho, e nesse meio tempo, o próprio Martelotte vive no fio da navalha dependendo sempre do resultado do próximo jogo para saber se ganha uma sobre vida no comando técnico da equipe.

E tem gente que se espanta com a instabilidade do time.

Realmente, há erros que se repetem no futebol brasileiro. Entra ano e sai an... opa, pra que esperar um ano se podemos ter o "bis" no mesmo dia ? Na onda do Santos, o Fluminense, após perder o treinador que venceu quatro dos últimos cinco campeonatos brasileiros, não se preocupou em contratar, foi à campo com um preparador físico no comando da equipe. Resultado: virou freguês do Boavista !
E o presidente cogita ficar um mês(!) sem treinador à espera de Abel Braga. Que belo começo Peter Siemsen !
Também, o que esperar de um presidente que não consegue sequer definir a acessoria de imprensa do clube ?

Errar uma vez é humano, duas teimosia, três burrice, acima disso, aí já é coisa de dirigente do futebol brasileiro.